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FONTE AUTOMOTOR:
A BMW decidiu ir ao extremo e dotar a gama X5 de uma versão M com 555 cv (por sinal, o primeiro veículo da afamada divisão da casa de Munique com tracção total e animado por um motor sobrealimentado). É um facto que se trata de uma proposta radical, porventura sem paralelo no mercado. Mas seria, ao mesmo tempo, desperdiçar uma oportunidade não colocar o novo modelo bávaro frente ao seu conterrâneo da Porsche: o Cayenne, no caso na sua variante Turbo com 500 cv. Aqui, os mais puristas não hesitarão em salientar que o mais indicado para este embate seria o Cayenne Turbo S, com 550 cv. Pode ser. Mas não é menos verdade que, na prática, não só os 50 cv de diferença entre as duas variantes não são muito notórios, como a versão do Cayenne que mais se equipara ao X5 M, em termos de preço, é a aqui analisada. E, no final, como a postura de um não é tão radical quanto a do outro, o duelo acabará sempre por servir para ficar a conhecer duas formas distintas de abordar o mesmo tema; ou como estes são SUV capazes de fazer crescer água na boca… até a quem não gosta de SUVs! Estética, construção, segurança
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| O desempenho em estrada do BMW X5 M impressiona. É quase um “jipe de corridas”, tal o seu potencial |



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Visualmente, e apesar de já não serem, propriamente, novidade, estes são modelos a que não é fácil ficar indiferente. O Cayenne continua a exibir as linhas que tantos clientes têm conseguido cativar para a marca e que, em nossa opinião, continuam perfeitamente actuais, conferindo ao modelo aquela presença imponente e sofisticada por certo desejada pelo seu construtor – e, no caso da unidade testada, sublinhada por uma bonitas jantes de 21”. Também o X5 desperta a cobiça por onde quer que passe, facto a que não serão alheios os logos “M” colocados nos flancos e portão traseiro, e os vários apêndices aerodinâmicos aplicados. Seja como for, um empate será o resultado que melhor se ajustará neste parâmetro. No exterior, como no interior, X5 M e Cayenne Turbo exibem um rigor construtivo simplesmente notável, garantido por estruturas sólidas, materiais de excelente qualidade e acabamentos a condizer. Ao mesmo tempo, os dispositivos de segurança activa e passiva actualmente exigíveis a automóveis desta categoria estão presentes nos dois, pelo que o equilíbrio continua a ser a nota dominante. Conforto, habitáculo, equipamento No interior destes dois SUV, o espaço é amplo e as diferenças entre ambos são diminutas, até porque as dimensões exteriores de cada qual são bastante semelhantes. Se o Cayenne perde um pouco em termos de bagageira com os bancos traseiros na sua posição normal, recupera da desvantagem quando estes estão rebatidos. Por outro lado, o X5 ganha liminarmente em termos de largura interior, facto que o Porsche compensa com uma altura mais generosa. E assim se vão mantendo a par os dois contendores de ocasião. Para desfazer-se, pela primeira vez, o empate é necessário chegar ao capítulo do conforto, com a vantagem a pender para o lado do Cayenne. Por um lado, porque a sua suspensão pneumática é mais versátil do que a do seu adversário neste domínio, permitindo optar entre três padrões de regulação – Confort, Normal e Sport (o BMW também conta com suspensão pneumática, mas a sua afinação privilegia sempre a eficácia, em detrimento da comodidade de quem segue a bordo). Por outro, porque os bancos do X5 M, soberbos quando a intenção é andar depressa, acabam por não ser tão acolhedores e confortáveis quanto os do seu rival nas viagens mais longas. Em termos de equipamento, o equilíbrio volta a prevalecer. Numa perspectiva exclusivamente pragmática, ambos dispõem sensivelmente dos mesmos itens, residindo a principal diferença no facto de o Porsche cobrar como opção o sistema de controlo dinâmico do chassis PDCC; ao que o BMW contrapõe a inclusão do sistema de navegação na lista de extras (de série no Cayenne). De resto, e tendo em conta o elevado preço destes automóveis, as listas de equipamento de série de ambos são completas, mas sem deslumbrar; e qualquer deles propõe um verdadeiro mundo de opções, ainda que à custa de um dispêndio financeiro bem de acordo com o seu estatuto e com os pergaminhos dos seus construtores (conseguindo a Porsche ir ainda mais longe neste particular…). Posto de condução, comportamento
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| Menos radical que o BMW X5 M, o cayenne turbo é, por outro lado, mais versátil, conseguindo chegar a lugares interditos ao seu rival |



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Uma vez no lugar mais apetecido a bordo de qualquer destes SUV, e ainda antes de colocar o motor em marcha, é útil (e agradável) descobrir o bem que se vai sentado atrás do volante. Os bancos e os volantes com múltiplas regulações eléctricas; a correcta disposição e colocação de todos os comandos e instrumentos; a sensação de domínio que se tem em relação à estrada são factores que contribuem para uma excelente posição de condução. Em termos estéticos, é justo salientar que o BMW oferece uma sensação de maior desportividade, muito por culpa da decoração do habitáculo e da aparência austera da instrumentação – o que, contudo, não corresponde à melhor legibilidade, e muito menos a maior quantidade de informação (aqui o Cayenne até leva vantagem: é tudo uma questão de feeling; e, neste campo, a divisão “M” da BMW sabe bem o que faz…). Já em andamento, começam a fazer sentir-se, verdadeiramente, as diferenças entre estes dois SUV, derivado da distinta postura que cada qual adopta. Comecemos pelo X5 M: da sonoridade emitida pelo seu poderoso V8 biturbo (rouca a baixo regime; um verdadeiro rugido a alta rotação, evocando um motor de competição) ao exímio tacto da direcção extremamente directa, passando pela rapidez da caixa de velocidades, sobretudo no modo Sport ou manual (muito boas, as patilhas de comando da mesma montadas na coluna de direcção), tudo concorre para a sensação de se estar aos comandos de um “jipe de corridas”, como alguém aqui na AutoMotor já apelidou esta criação da BMW M… Com amortecimento activo, barras estabilizadoras activas, tracção total com DPC, tudo combinado no sentido de obter a máxima eficácia, este enorme BMW, com mais de 2300 kg de peso, é um autêntico monstro do asfalto, devorando quilómetros a um ritmo impressionante e curvando com uma graciosidade capaz de fazer inveja a muitos pretensos desportivos mais “ligeiros” – não se furtando, mesmo, a uma condução mais malabarista com a electrónica desligada. Claro está que a Física tem as suas incontornáveis leis e, nas solicitações mais exigentes, o X5 M adorna notoriamente, sobretudo nas trocas de apoio mais impetuosas. Não obstante, serão mais os que duvidarão dos alargados limites deste SUV do que os que terão a coragem de acreditar em todo o seu potencial dinâmico e estarão aptos a descobri-los. De todo o modo, a BMW não deixou de pensar nos mais ousados e incluiu neste X5 a já célebre função MDM (M Dynanic Mode), activável pelo condutor a partir de um botão específico existente no volante, e que o próprio pode configurar em termos de resposta do motor; modo de actuação do controlo de estabilidade (normal, totalmente desligado ou numa posição intermédia, mais permissiva); configuração da suspensão; e informação fornecida pelo head-up display (quando presente, já que se trata de mais um opcional). Já no Cayenne, o motor também merece justificados encómios, pela sua potência e facilidade em subir de regime, mas reconheça--se que a sua sonoridade não impõe o mesmo respeito que a do X5 M. Por outro lado, a caixa Tiptronic (também com seis velocidades) não só é mais lenta a responder em qualquer dos modos, como os botões colocados nos braços centrais do volante estão longe de ser a melhor solução para a comandar manualmente. Ao mesmo tempo, e até com o opcional PDCC instalado, a suspensão nunca é tão eficaz quanto a do X5 M a controlar os movimentos da carroçaria em curva, sentindo-se sempre com maior premência as suas generosas dimensões e o elevado peso do conjunto. É por isso que, aqui, a coragem necessária para partir à descoberta dos limites do Cayenne Turbo (aquém dos do X5 M, mas, ainda assim, muito amplos) é ainda maior.
Mas nem tudo são desvantagens: por dispor de caixa de transferências, bloqueios de diferencial e uma suspensão pneumática que permite incrementar em 5,6 cm a altura ao solo, o Cayenne Turbo não é, ao contrário do X5 M, um SUV praticamente limitado aos mais perfeitos tapetes de asfalto, e pouco mais. É certo que serão raros os dispostos a sujeitar um automóvel deste preço aos potenciais riscos de uma utilização off-road – mas isso não impede que o Cayenne Turbo chegue com facilidade a locais pelo quais o X5 M dificilmente se aventurará, especialmente se se trocar os pneus de elevado índice de velocidade, vocacionados para alcatrão, por uns mistos, mais adaptados a tais incursões. Versatilidade de utilização é, pois, um importante trunfo a favor do Porsche. Performances e consumos Do lado bávaro, 555 cv e 680 Nm; do lado de Estugarda, 500 cv e 700 Nm. Face a valores desta ordem de grandeza, não espanta que as prestações sejam verdadeiramente impressionantes em qualquer destes SUV – dois autênticos mísseis, verdade seja dita. É um facto que, nos 0-100 km/h, em qualquer deles, as nossas medições ficaram algo aquém dos valores anunciados. Mas nem por isso os registos obtidos deixam de ser de excelente nível, com ligeira vantagem para o BMW em todos eles, excepto na velocidade máxima – apenas por que a tem limitada aos 250 km/h da praxe… Comum a ambos é, igualmente, uma boa capacidade de travagem, mas mais sensível à fadiga do que o habitual noutros modelos das respectivas marcas com igual nível de potência (o peso não perdoa). Em termos de consumos, e para os clientes-alvo destas propostas, será mais relevante a autonomia do que o custo em si mesmo. Seja. Mas não deixa de ser um facto que o X5 M é sempre menos “guloso” do que o seu rival (apesar do superior rendimento do seu motor), tanto a velocidades estabilizadas (em que ambos alcançam registos até de alguma parcimónia, tendo em conta o seu poderio) como numa utilização mais intensa (aqui, valores acima dos 25,0 l/100 km tenderão a ser a regra; superar médias de 30,0 l/100 km também não será coisa rara). Conclusão Como seria de esperar, no final, não é substancial a diferença que separa X5 M de Cayenne Turbo – apenas dois pontos, favoráveis ao BMW. O desempenho dinâmico mais acutilante e as prestações mais céleres acabaram por ditar a vitória da proposta bávara, face a um Cayenne Turbo que adopta uma atitude menos racing e extremista e, por isso, será a opção a ter em conta para quem pretende um pouco mais de polivalência. Aliás, mais do que estes factores, será a filosofia que cada um destes modelos adopta que ditará a opção final por um deles, a quem tenha o privilégio de estar na posição de escolher: absolutamente desportivo o BMW; mais versátil o Porsche. Inequívoco é que estamos perante dois SUV de outra galáxia, em quase todos os domínios, inclusive do preço – em ambos os casos a rondar os 160 mil euros… sem opções.
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